é como querer ou saber respirar, querer e não conseguir. o vomitar visceral 

é como experimentar uma coisa irracional, uma coisa que o meu corpo possa penetrar.

é não suportar mais esta música, e acabar. acabar. não. parar. as coisas duram segundos. nada que me dê prazer dura mais que meros segundos; tudo acaba, porque nada é suficiente. porque a natureza é irracional, e esta constante procura nunca é completa, ela é sempre mais veloz que eu, mas eu não me esforço o suficiente para, pelo menos, conseguir acompanhá-la, a um passo atrás. não me esforço porque não quero, não sinto essa necessidade, há sempre distracções que tocam no meu corpo e me fazem parar. 

uma coisa é a suposição dessa experiência, que poderá tornar-se mais interessante que o fazer real, porque o fazer real nunca é suficiente. acaba. há um tempo. corro contra o tempo. a experiência física detêm-se nesse limbo que nunca chega a ser real; mas eu consigo sentir tudo, consigo sentir o penetrar de tanta coisa, e às vezes tenho de parar. parar porque é demais. são como facas. mas eu adoro isso. dissecar-me. matar-me. matar-te. sentir o mais profundo; sentir o meu corpo sempre a mexer-se, sempre a receber, sempre a dar, a consumir tudo. o meu corpo. a máxima experiência. 

para. acabou. .. 

a ferida abriu-se, abriram-ma 

mas doi-me, ultrapassa o que eu tinha sempre controlado.